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sexta-feira, outubro 03, 2003

Epístola a João Baptista 

Caro Voz do Deserto,

Para mim que sou católico mas sobretudo cristão tem sido uma experiência nova e estimulante conhecer, através do blogue Voz do Deserto, as perspectivas dum protestante e baptista como você. O facto é que embora conheça rudimentarmente as bases do protestantismo e de algumas das suas derivações, nunca conheci pessoalmente nenhum protestante e como tal não tenho até aqui a mínima ideia como vocês vivem a experiência da fé. Provavelmente de muitas maneiras, como nós os católicos. Agora o facto é que muito dos seus posts tem sido particularmente reveladores para quem como eu procura entender a Fé que possuo. Destaco dos últimos um que me marcou que foi o do ecumenismo a propósito das célebres 37 prescrições litúrgicas: "tenho comigo que os únicos ecuménicos decentes são os católicos - sabem bem que nesse tão elevado projecto não arredam um centímetro naquilo em que crêem" - não tenha dúvida que é mesmo assim que muitos dos meus irmãos na fé veem a coisa que, por isso avança a passos de caracol. Outro trecho que subscrevo inteiramente: "alegro-me com a decepção folclórica desta gente com as instituições religiosas. Deixa-nos espaço para que as igrejas se dediquem à fé e não à voluptuosa transformação do mundo". Ora bem: é isso mesmo!
Já agora vi também uma sua referência, já antiga, à edição da bíblia da Três Sinais, de cuja continuação (incluindo os excelentes prefácios) ando à espera. Partilho inteiramente daquilo que diz: " A ausência de convívio com a leitura das Escrituras é uma das causas da ignorância dos portugueses. Creio nesta tese tão escandalosamente simples. Mas os cristãos serem o Povo do Livro é completamente distinto da Bíblia ser o Livro do Povo." A relação entre o povo e as escrituras, que deve ser de proximidade e não de inacessibilidade, foi uma das razões originais do protestantismo. Hoje toda a Igreja Católica dá razão a Lutero neste ponto e não só.
É também por isto que eu e muitos outros não vemos o ecumenismo como o regresso de irmãos transviados à Verdade Pura e Eterna da Igreja Católica: o ecumenismo deve sim representar o regresso de todo povo cristão à essência profunda e verdadeira da Fé que nasceu em Cristo.

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