<$BlogRSDUrl$>

terça-feira, outubro 28, 2003

Mani, de novo 

É bem verdade aquilo que bengelsdorff escreve sobre Mani: "Criticava Cristo, Buda e Zaroastro por não terem cuidado convenientemente da fiel transmissão das doutrinas às gerações posteriores. Falava de adulteração da mensagem, e, para que não lhe acontecesse o mesmo, resolveu escrever com a própria mão o que lhe havia sido revelado". A questão é que para a preservação de uma doutrina, a sua correcta transposição para escrito é sem dúvida uma condição necessária mas não suficiente. As obras escritas, antes da invenção da imprensa, tinham tiragens pequenas pelo que era fácil desaparecerem na voragem da História. Com efeito, da obra escrita de Mani, que ele tanto valorizou, nada resta excepto algumas transcrições de textos, incertas da sua autenticidade.
Os maniqueus foram perseguidos e nunca procuraram ou encontraram um apoio político que os amparasse. Se, como conta Maalouf, o império Persa tivesse adoptado o maniqueísmo como religião oficial, substituindo o zoroastrismo velho de 1000 anos, tudo teria sido diferente. Sabendo que os persas foram o primeiro naco do expansionismo do Islão, como seria este hoje se o maniqueísmo tivesse ajudado os persas a não terem claudicado tão bruscamente?
Ainda segundo Maalouf, Mani recusou sempre legitimar o poder e a guerra em nome da sua Fé. Cristo também o recusaria sempre. Agora a sua Igreja, essa já não o recusou, pelo contrário. Com isso conseguiu manter-se como corpo institucional desde há dois milénios, contrariando muitas vezes a verdade essencial da mensagem de Cristo. Porém o facto é que isso permitiu que essa verdade essencial, mesmo que coberta por acrescentos e adulterações, ainda lá esteja, nas Escrituras, para que ainda hoje, passado 2000 anos, nos seja possível descobrir Cristo e a Salvação que Ele nos oferece.
Verdade seja dita que muitas vezes não é fácil distinguir aquilo que é a Mensagem genuí­na daquilo que foi enxertado. É necessário ir às fontes, estudar a história da Igreja sem recear que isso nos faça perder a Fé.
Sto.Agostinho, por exemplo, foi daqueles cujos acrescentos e deturpações mais alcance tiveram e ainda tem na doutrina da Igreja. Porém, isso já é outra história e bem complicada, talvez para próximos posts.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?