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quinta-feira, outubro 09, 2003

Silêncio de Deus 

Há dias em que a Fé é simples e só traz paz e luz ao nosso espírito.
Outros dias porém há em que ultrapassamos o nosso nível de tolerância à  dor, ao sofrimento, à  dúvida. Há dias em o contraste que sentimos existir entre a nossa vida, o mundo a que assistimos, e a nossa Fé nos faz pôr em questão aquilo em que acreditamos. São dias dolorosos, difíceis de explicar, difíceis de passar.
Há uns anos, um disco dos Divine Comedy trouxe uma música que descreve bem este mal de vivre do crente. Não sei se conhecem mas aqui vai:

The eye of the needle

They say that you hear Him
If you´re really listening.
I pray for that feeling of grace.
But if that´s what I´m doing,
Why doesn´t He answer?

The cars in the churchyard are shining and German
Distinctly at odds with the theme of sermon
During communion I stare at the people
Squeezing themselves through the eye of the needle

I know it´s wrong for
A faithful to seek it
But sometimes I long for a sign, anything.
Something to wake up the whole congregation
And finally make up my mind.


Eu às vezes olho para o meu carro, também ele reluzente (quando o lavo) e alemão, e penso em que raio de cristão sou eu, se irei caber no buraco da agulha.
Também a mim me atormenta algumas vezes o silêncio de Deus, também eu anseio por sinais visíveis.
Rezo então. Leio. Ouço música. Trabalho. Olho para os meus filhos e tento adivinhar como Deus nos olha. Olho para a minha mulher e tento adivinhar como Deus nos ama. Penso que também eles às vezes devem sentir falta de sinais do meu amor que todavia existe absolutamente. Acalmo o meu espírito. Aguardo o novo dia. Sinto-me de novo em paz. Peço perdão pelas minhas dúvidas, pela minha secura. Penso que tenho de ser melhor. Dou graças pelo que me foi dado, pelos meus.
Graças a Deus.

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