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sexta-feira, outubro 31, 2003

Vida eterna  

Caro Pedro,
Começo agradecendo-lhe as suas boas palavras. Está também absolvido por não ter ainda lido aquela prosa imensa do ecumenismo. É de facto pesada, espessa e ainda por cima mal escrita. Contudo escrevê-la foi a razão primeira do meu blogue. Entre nós até lhe posso explicar porquê. Penso que todos os católicos sinceros tem alguma má consciência, algum desconforto por alguns aspectos menos católicos da história da nossa Igreja. Por outro lado é muitas vezes difícil percebermos quais as razões profundas da divisão dos cristãos por vários caminhos divergentes. Também percebemos mal o que nos separa dos nossos irmãos crentes de outras religiões. Ora parece-me que neste mundo cada vez mais afastado de Deus, cada vez mais egoísta e materialista é bom que nós os Crentes nos entendamos. Para mim é absolutamente certo que uma das principais fontes do ateísmo são os constantes e pouco edificantes conflitos inter-religiosos. Foi tudo isto que há cerca de dois anos me fez começar a ler e a mergulhar na história do Cristianismo e de outras religiões. Posso dizer-lhe que descobri coisas que me arrepiaram, coisas que me espantaram e coisas que fazem com que hoje a minha fé seja incomparavelmente maior do que há dois anos. Descobri que na história da Igreja há coisas difíceis de aceitar mas que se as enquadrarmos na evolução da Igreja e da sociedade ao longo destes dois mil anos percebemos que se calhar foram determinantes para que hoje tenhamos ainda pleno acesso à mensagem de Cristo. Descobri também que entre a nossa religião e todas as outras, em termos daquilo que é essencial e não acessório, é mais aquilo que nos devia unir do que aquilo que nos separa. Tendo descoberto isto achei que devia partilhá-lo com os outros. O meu blogue é um primeiro ensaio, quase clandestino, para isso.
Vou agora e finalmente responder às suas perguntas. Na verdade não penso muito no Paraíso. Aquilo em que acredito profundamente é que Deus é nosso Pai e que, sendo assim, temos algo de divino em nós e que esse algo está ou é a nossa alma. Acredito também que a morte física representa o momento do nosso regresso ao Pai. Se isso implica a vida eterna, penso que sim mas não o sei. Nem o exijo. Para mim o encontro com Deus é muito mais importante do que a eternidade. Acredito também que a liberdade que nos foi dada permite afastarmo-nos e até negarmos o Pai. Acredito que Cristo foi-nos enviado para nos mostrar o caminho até Ele e para nos mostrar que a Salvação nos espera a todos no fim desse caminho. Vem no evangelho de João, que para mim é entre os evangelhos aquele que nos diz TUDO, cap.14, 6: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. É nisto que eu acredito e dou graças por isso.
Um abraço.

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