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terça-feira, outubro 28, 2003

Vésperas 

Segunda-feira, cerca da meia-noite, após mais um dia de trabalho caótico, quase demencial.
Estou na sala, estirado num sofá. A minha mulher dorme beatificamente ao meu lado. Os miúdos, esses já se deitaram há muito, depois de mais uma vez me terem reconciliado comigo próprio. Estou a ouvir um CD dos Sigur Ros, uma compra de impulso na FNAC que se revelou como o disco mais espiritual que já alguma vez ouvi.
São músicas longas, lentas, estranhas, litúrgicas. Nada se percebe do islandês mas as vozes deles entoam algo de familiar e ao mesmo tempo transcendente. Já ouvi canto gregoriano que me deixou impressão assim. Ao mesmo tempo, por entre aquelas frases incompreensíveis mas lógicas, como se fossem mantras, a percussão faz ressoar contantemente o OM que os vedas dizem ser o som cósmico primordial. Penso que os gostaria de ver ao vivo mas que isso só faria sentido numa catedral.
Penso que a minha sanidade mental é o maior dom que Deus me deu e que é através de pequenas dádivas como esta música que Ele me ajuda a mantê-la. E que é através de grandes dádivas, como os meus, que ele me faz querê-la.
Vou hoje adormecer muito mais sereno do que acordei. Obrigado, meu Pai.

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