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terça-feira, novembro 25, 2003

A Deus 

«A Deus, ninguém jamais O viu» nem conheceu;
foi Ele próprio que Se manifestou.
E manifestou-Se mediante a fé, único meio de ver a Deus.
E quando concebeu o Seu grande e inefável desígnio,
comunicou-o unicamente ao Seu Filho Unigénito.
Enquanto mantinha oculto para Si o desígnio da sua sabedoria,
parecia abandonar-nos e esquecer-Se de nós.
Mas quando o revelou por meio do Seu amado Filho
e manifestou o que tinha preparado desde o princípio,
ofereceu-nos tudo de uma vez para sempre:
participar dos Seus benefícios, ver e compreender.
Oh imensa bondade e amor de Deus para com os homens!
Não Se deixou dominar pelo ódio contra nós,
nem nos rejeitou, nem Se vingou.
Pelo contrário, suportou-nos com magnanimidade;
na Sua misericórdia, tomou sobre Si os nossos pecados
e entregou o Seu próprio Filho como preço da nossa redenção:
o Santo pelos iníquos, o Inocente pelos culpados,
o Justo pelos injustos, o Incorruptível pelos corruptíveis,
o Imortal pelos mortais.
Ele começou por, ao longo dos tempos passados,
demonstrar à nossa natureza a sua impotência
para obter a vida por si própria;
agora mostrou-nos o Salvador,
que tem o poder de salvar mesmo o que não podia ser salvo.
Por estes dois meios Ele quis, então, que viéssemos a ter fé na Sua bondade,
e viéssemos a ver n’Ele Aquele que nos alimenta,
um Pai, um Mestre, um Conselheiro, um Médico,
a Inteligência, a Luz, a Honra, a Glória, a Força, a Vida.
Porque Deus amou os homens: para eles criou o mundo,
e lhes submeteu todas as coisas que estão sobre a terra;
deu-lhes a razão e a inteligência,
e só a eles permitiu que elevassem o olhar para o céu;
Ele os formou à Sua imagem e semelhança,
e enviou-lhes o Seu Filho Unigénito,
prometendo-lhes o Reino dos Céus,
que dará aos que O tiverem amado.
Com toda a clemência e doçura, tal como um rei envia o rei seu filho,
Ele O enviou não como o Deus que Ele era,
mas sim como convinha que Ele fosse para os homens,
para os salvar pela persuasão, não pela violência,
porque não há violência em Deus.
Ele enviou-O para nos chamar para Ele, não para nos acusar:
enviou-O porque nos amou, não para nos julgar.
E quando O conheceres, que grande alegria encherá o teu coração!
Como amarás Aquele que te amou primeiro!
Amando-O, serás um imitador da Sua bondade,
e não te espante que um simples homem
possa tornar-se um imitador de Deus:
se Deus quiser, ele pode verdadeiramente!
Tratar mal o próximo, querer dominar sobre os mais fracos,
ser rico e usar de violência a propósito dos inferiores
não traz a felicidade;
não é assim que podemos imitar Deus, muito pelo contrário:
esse actos são estranhos à majestade divina.
Mas aquele que tomar sobre si o fardo do próximo
e que, naquilo em que tiver qualquer superioridade,
beneficie outro menos afortunado,
aquele que dá àqueles que necessitam dos bens que ele detém
– por os ter recebido de Deus –
tornando-se assim como que um deus para os que recebem esses bens,
esse é verdadeiramente um imitador de Deus.
Foi para isso que o Verbo foi enviado:
para que Se manifestasse ao mundo,
Ele que, desprezado pelo Seu povo,
foi pregado pelos Apóstolos e crido pelas nações.
Ele, que era desde o início, apareceu como se fosse novo e foi encontrado antigo,
e renasce sempre jovem no coração dos santos.
Eterno, é hoje reconhecido como Filho.
Por Ele, a Igreja enriqueceu-se,
a graça derramou-se e multiplica-se nos santos,
conferindo inteligência, desvelando os mistérios,
revelando a repartição dos tempos;
ela alegra-se por causa dos fiéis,
ela oferece-se àqueles que a procuram.


(Carta a Diogneto)

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