<$BlogRSDUrl$>

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Os ab(e/o)rtos e os fechados 

Caro Ómega,

Começo por lhe dizer que gosto do seu nickname. Há para aí tanta gente a querer ser alfa que faz bem ver alguém a querer pôr-se no fim da fila. E já sabe: “os últimos serão os primeiros”. Seja pois bem vindo ao meu blogue.
Pergunta-me você, com alguma pertinência, a razão do meu alheamento da grande questão do momento: o aborto. Não é, como você especula, por eu considerar que essa questão nada tem a ver com religião, antes pelo contrário.
Será mais por cansaço. Realmente sinto-me com pouco ânimo para entrar nessa liça tão encarniçada. Ando com pouca paciência para entrar em polémicas que em Portugal são quase sempre estéreis e desagradáveis. Dizia há dias o nosso Abrupto, a propósito de outra questão, que “O pior que se pode fazer, numa questão tão séria como esta [do Iraque], é transformar as nossas opiniões e o nosso envolvimento na causa política numa espécie de projecção subjectiva da nossa própria pessoa e importância. As coisas correm bem, levanta-se a grimpa e desdenha-se dos outros; as coisas correm mal e assobia-se para o lado e coleccionam-se os "mas". Infelizmente isto é comum no debate português, com raras excepções. Mas, insisto (...), isto não é certamente (...) um jogo de pingue-pongue com o nosso ego e o dos outros “. É sábio aqui o JPP, o que é natural depois de 10 anos a fundibular com o José Magalhães...
Uma boa polémica à portuguesa não é um confronto de ideias mas sim um confronto de egos. A procura da verdade não é para ali chamada. Alguém que se disponha a acolher a opinião do outro é olhado com desprezo e não como um justo. E nesta polémica do aborto a primeira coisa a ser abortada foi a discussão honesta do problema.
Enfim, por essa razão nem me atrevo a aflorar o assunto dando assim ensejo a que algum dos meus leitores (por poucos que sejam) me fulminasse com o lume da sua opinião.
Até por que nem seria necessário. A minha visão sobre o assunto, visão obviamente cristã, tem vindo a ser brilhantemente defendida por outros: os companheiros secretos. Eles tem a vantagem de não vir das profundezas da direita nem do conservadorismo católico. Estes são de esquerda e deixam os seus pares perplexos e furiosos com a sua posição. No fundo eles mostram bem que a questão do aborto não é nem pode ser uma questão ideológica apesar de haver muita gente que acha que ser de esquerda é ser pela liberalização do aborto, como se esta fosse a causa que lhes restasse para lutar. Os companheiros são muito mais eficazes na sua argumentação do que aqueles indivíduos quase mitrados das associações "Mais Família", cuja argumentação me causa calafrios de incomodidade.
Meu caro Ómega, a questão do aborto é uma questão de visão do mundo e da vida, é uma questão filosófica, é uma questão religiosa. É por isso que eu devia falar nela. Mas neste momento não consigo. Peço-lhe pois desculpa.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?