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quinta-feira, janeiro 29, 2004

Bibliofilia vs Bibliofobia  

O projecto da Bíblia manuscrita pelas escolas, que tanto preocupa a nossa esquerda secular, anda por aí a dar muito que falar. Tem havido discussão entre cristãos e ateus (e ateias...) e também entre protestantes e católicos.
Na minha modesta opinião, trata-se de um projecto sem dúvida importante, mas cujo êxito vai depender muito da forma e do espírito com que fôr executado. Por uma vez na vida eu concordei com um barnabé neste caso com o Rui Tavares e a sua divertida selecção de trechos do Antigo Testamento. Realmente se a cópia pelos estudantes for feita sem uma leitura contextualizada e explicada, os resultados podem ser contraproducentes, mesmo muito contraproducentes. A minha experiência pessoal diz isso mesmo. Já aqui falei sobre quando perdi a Fé em adolescente e o Antigo Testamento, lido com reserva mental, deu a sua ajudinha. Mas isto não quer dizer que esta acção não deva ser feita: tem é que ser muito bem feita!
E bom é que assim seja pois o conhecimento da Bíblia é importantíssimo não só para a formação religiosa dos portugueses mas para a sua formação humana e cultural, para o reconhecimento da nossa indentidade.
Na Bíblia, mais propriamente no Antigo Testamento, encontra-se não só a Palavra de Deus e a promessa de Cristo entre nós, mas também está lá a mítica primordial da humanidade, com muitas coisas comuns a livros sagrados de outras grandes religiões; está lá a história edificante de todo um povo até ao nascimento no seu seio do Redentor de todos os Povos.
Lendo Génesis, Êxodo, Juízes, Reis, Isaías, Jeremias, Job, Jonas, Neemias, Eclesiastes, etc. fica-se com uma perspectiva profunda da condição humana, do que nos limita, daquilo a que aspiramos, daquilo que nos engrandece, daquilo que nos perde. É pois um Livro importantíssimo e lamento só tão tarde ter começado a lê-lo.


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