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segunda-feira, janeiro 26, 2004

Loosing my religion 

O Tiago prestou-me mais um inestimável serviço: apontou-me o caminho do Diário de uns ateus. Estive agora uma meia horita a lê-los, enquanto espero uma notícia que não queria que chegasse. E sinto aquela exaltação de quem descobriu uma coisa nova, mas de que já suspeitava há muito: descobri um ateísmo confessional, congregacional, ortodoxo e proselitista.
Eles organizam o 1º Encontro Nacional de Ateus e Ateias (ENAA), de que resultou uma declaração pública e até uma fotografia de grupo. Eles tem uma terminologia própria, para iniciados: ICAR significa Igreja Católica e Apostólica Romana, JP2 significa o papa João Paulo II. A declaração final avulta em preciosidades: "A alegada intenção ecuménica de JP2 não foi mais do que uma tentativa canhestra de formar uma holding internacional sob a hegemonia da ICAR, sem liberdade para agnósticos, ateus e todos aqueles que lutam contra o obscurantismo e o fanatismo", "Mais justos que Deus são os homens na sua progressiva marcha para a eliminação de qualquer forma de discriminação","A Europa não pode esquecer que o capricho papal de uma Croácia católica pesou no desmembramento da Jugoslávia, que a Polónia exporta religião e padres de acordo com a obsessão paranóica do Vaticano", "No antigo bloco soviético anda à solta o cristianismo ortodoxo. O Vaticano faz a ponte entre o estalinismo e o concílio de Trento". Mas a frase final, essa, esmagou-me pela sua rústica veemência: "Vale mais o primeiro almoço do que a última ceia".
E eles sabem do que falam e matam toda a esperança do crente: "A maldade da ICAR não pressupõe a bondade de qualquer outra igreja".
Deve ser por isso que a evangélica Voz do Deserto é classificada como católica: no fundo é tudo igual!
E, certamente já fertilizado pela semente da dúvida que estes beneméritos lançam pela blogosfera, eu não resisto a colocá-los, já e agora, nos meus links.

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