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terça-feira, janeiro 06, 2004

Ortodoxias 

Quando pensamos em João Baptista, a voz que pregava no deserto, estamos habituados a relembrar a sua veemência, o seu carisma, a sua inspiração, a sua intransigência. E por isso costumamos esquecer a sua humildade, a humildade de quem disse "Eu é que careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?" (Mt 3,14). Hoje, é o Tiago, voz do deserto que nos mostra de novo isso. E mostra-nos que entre os Cristãos a humildade é aquilo que nos deve definir. Sobrepondo-se a todas as ortodoxias, a todas as perspectivas que se pretendem únicas. A ortodoxia pretende a preservação da nossa Fé mas é habitualmente o pretexto para a expansão dos nossos orgulhos. E o orgulho é a filoxera da vinha da Fé: enrijece a casca mas destrói o interior.

Quero ainda citar duas coisas certíssimas que o Tiago escreve hoje:
"Em comunidade temos o melhor de nós multiplicado uma série de vezes e temos o pior de nós multiplicado também uma série de vezes. A vivência comunitária da fé, a igreja, não foge a esta regra."
"A minha fé não valida a defesa da verdade. A verdade, existindo, nem sequer precisa de ser defendida, já dizia Kierkegaard. E eu acrescento: nenhum homem possui a verdade. A verdade é que possui alguns homens."
Este católico que aqui escreve quer mandar um abraço fraterno ao Tiago e ao Vincent, dois protestantes que não conhece mas admira.




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