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segunda-feira, janeiro 26, 2004

Saudades 

Neste dia de terrível expectativa, não consigo fazer nada de jeito. Para não encarar os que trabalham comigo e gostariam de receber de mim respostas que não tenho para dar, tenho feito uns telefonemas, tenho passeado pela blogosfera, tenho escrito uns posts futuros. E tenho-me lembrado do Vizinho do mar. Ele escreveu muita coisa que eu gostava de ter escrito. Nele não havia este narcisismo que nos afecta e mina a todos nós, bloggers. Era edificante lê-lo. Era às vezes um bálsamo, outras um desafio. Enfim, faz uma falta do caraças. E desgosta-me não ter ido gravando o seu blogue. Só por duas vezes gravei um post seu. E um deles, um dos que só um pai pode apreciar devidamente, é este:

Frases (para a minha filha):

No discurso líquido do poema invento a paisagem do teu nome.
Gosto quando adormeces no meu ombro, sonhando sonhos que só a ti pertencem.
Levo-te pelas ruas, de mãos dadas, sabendo que no teu futuro está a minha morte.
O teu sorriso vem ao encontro do meu; é quase noite e não há mistérios.
Tens os dedos longos da ternura.
O que aprendeste em mim, gosto de o pensar, deve ter sido a voz serena dos dias.
Pai, é o que me dizes melhor.
Olhamo-nos de frente, cúmplices nos gestos e no passado.
Sou tímido quando converso contigo, talvez por saber que as tuas razões são mais importantes do que as minhas memórias.
(para continuar, um dia)



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