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sexta-feira, janeiro 23, 2004

Verdade e Fé 

O Vincent tem obviamente razão quando diz que o cerne deste “equívoco” reside na semântica da palavra Verdade. A minha Verdade, aquela que eu procuro, aquela que eu sei que nesta vida não a vou encontrar, é a Verdade total, a revelação plena, a visão de Deus tal qual ele é, como diz S.João acerca da salvação. E esta Verdade nunca esteve até agora perante este pobre pecador, que não viu nenhuma sarça ardente, que não teve a sua visão na estrada de Damasco, que não foi nunca interpelado por nenhum Anjo.
Contudo fui, isso sim, posto perante a Palavra de Cristo, o Verbo Divino feito homem entre nós. E acreditei nela, acredito nela profundamente, crescentemente. E essa Palavra, se o Vincent me permite utilisar, agora sim, o jargão católico, essa Palavra é que é a razão da minha esperança. A minha Fé baseia-se pois numa profunda esperança criada em mim pela palavra de Deus. E é por de entre essa esperança que eu sinto de forma quase material a Graça de Deus, o seu amor de Pai, a acção do Espírito Santo no meu coração e no meu espírito humano. É através dessa esperança que sinto em mim o cumprimento da promessa da “vida em abundância”. Vou-lhe confessar aqui uma coisa, caríssimo Vincent, a minha Fé, como penso que a sua também, já teve crises. Já muitas vezes receei, como Sta.Teresa de Jesus, vir a encontrar no lado de lá a escuridão do nada. Mas mesmo nesses períodos de crise, até aqui sempre resolvidos, nunca deixei de ver claramente visto, que a Fé me alimenta, me torna alguém melhor, me dá um sentido profundo para tudo isto. Tanto que só pode ser um dom, uma graça de Deus nosso Pai. Usando a frase de S.Paulo que você citou e bem, eu digo que agora vejo em parte e amo já o que vejo mas o que me anima, me constrói, me define, é a esperança, enorme, de que um dia, ou melhor depois de um certo dia que lá vem, eu verei face a face. Até lá eu procuro, com dificuldades é certo, viver na Fé que tenho. Viver na tal Verdade é algo que não parece estar ao meu alcance.
Quanto à noção de “Deus a actuar nas nossas vidas” deixe-me dizer-lhe que isso é algo que episodicamente já senti, por coisas que em dadas alturas me aconteceram, mas, mais do que isso, é algo que eu sinto todos os dias simplesmente pela Fé que Nele tenho.
Para terminar, Vincent, meu amigo e irmão na Fé, gostaria de lhe fazer uma pergunta vinda de alguém que só agora na blogosfera começou a conhecer e respeitar o pensamento protestante: nestas diferenças de conceitos que agora dirimimos existe algo de catolicismo e protestantismo em confronto? Se houver gostaria sinceramente de saber o quê.

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