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quarta-feira, janeiro 21, 2004

Vésperas 

Ontem saí daqui derreado, como de costume, vergado pela ideia de que o damage control é já só o que me resta fazer.
Mas cheguei a casa e deparei com o amor visível de três pessoas que amo e que ontem, como noutros dias, olharam bem para mim e me trataram realmente bem. Até a minha filha de sete anos resolveu ser dessa vez ela a contar-me uma história de antes de dormir. E leu-a concentradamente, soberbamente, com esforços de entoação e tudo.
Depois de me ter desenfarpelado e deixado os miúdos a dormir puz-me a ver a Dois. E tive a sorte de estar a dar aquele série de viagens do Michael Palin pelo Sahara, desta vez de Dakar até Timbuktu, com cenas hilariantes pelo meio. Viajando pelo rio Niger, em direcção à mítica Timbuktu, Palin encontra uma missionária protestante norueguesa há 15 anos no Mali, em terras do Islão. Palin pergunta-lhe quantos muçulmanos ela tinha convertido. E ela, simpatica mas firmemente, recusou responder a essa pergunta tão ridícula como perigosa. Dizia ela, suavemente, que um, cem ou mil era exactamente igual. Interessava sim viver no meio deles, como eles, ajudá-los, mostrar que os ama e que quer ser amada por eles. Lindo.
Depois, enquanto a minha mulher se ia deitando puz finalmente o LC a tocar. E de novo embasbaquei perante os Sketch for dawn I e II, o Messidor, o fantástico Never known, o The act committed, seguido da primeira música que conheci dos Durutti ouvida no genérico dum qualquer programa de rádio: Detail for Paul. A terminar uma preciosidade ao piano: The sweet cheat gone. Lizt e Satie, não fariam melhor.
Enfim, fui deitar-me redimido, com a alma limpa de toda a amargura. Dei graças a Deus por tudo isto.

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