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sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Mel e fel (2) 

Como seria de esperar, esta polémica sobre o filme "A Paixão de Cristo" ocupou todo o espaço assumindo os contornos habituais: o sectarismo, o politicamente correcto, o patrulhamento anti-anti-semitismo, o próprio anti-semitismo, todos eles levantaram a grimpa e transformaram o debate numa vozearia. Concordo com o Francisco José Viegas quando fala do "Much ado", mas infelizmente não concordo que seja "about nothing".
Com toda esta discussão bizantina e "avant la lettre", quem fica a ganhar são a carteira do Mel Gibson, os anti-judeus, os anti-cristãos e os fanáticos de cada um dos campos.
Quem perde? São vários os que perdem. Entre eles estão os cristãos que, como eu, se predispunham a ver o filme simplesmente para serem confrontados com a (re)visão cénica da paixão e morte de Cristo, aqueles que, como eu, se predispunham ao sofrimento visual para olharem de frente a enormidade da dádiva que Cristo fez de Si próprio.
Nesta altura, em que parece que querem que discutamos de novo quem são os culpados da morte de Cristo, parece também que estamos a deixar esquecer o essencial. É que Cristo podia ter evitado o seu sofrimento e morte. Por várias ocasiões ele podia ter suavizado ou relativizado a sua mensagem, a sua postura. Se o tivesse feito certamente que o não teriam morto pois naquela altura não era nada de grave ser-se chefe de mais uma seita judaica. Ao recusar fazê-lo, Cristo deixou-se ser morto, tornou-se também Ele responsável pela sua própria morte. E Ele que era Deus, sacrificou-se pela sua mensagem aos homens, para que ela hoje possa ainda viver nos corações de quem Nele crê.
E pronto. Já disse tudo o que tinha a dizer sobre este assunto. Também eu já estou farto. Mas quando o filme chegar vou definitivamente vê-lo e, a não ser que seja uma "pastelada" defraudante, nada direi sobre ele. Estamos no domínio da centralidade da minha Fé. Não vou mais discuti-la.
E peço aos meus amigos, crentes de outras fés, que aceitem e compreendam isso.

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