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quinta-feira, março 04, 2004

Dia da voz 

Durante muitos anos fui vizinho duma Igreja Evangélica Baptista. Ela situava-se, como seria de esperar, na garagem do nosso prédio e o pastor e sua família viviam num apartamento 2 ou 3 andares abaixo do nosso. Às 4ªs feiras à noite e aos domingos de manhã eles tinham as suas celebrações e depois vinham para a rua onde ficavam, em grupos de 40-50 pessoas, a conversar animadamente como se reencontrassem após uma longa ausência.
Do pouco que deles conheci ficou a impressão de serem excelentes pessoas e a impressão de neles ver uma alegria e espírito de comunidade que não reconhecia na minha missa paroquial.
Mas esta visão positiva que deles tinha nunca deixou de ter um travo paternalista. Nos dias em que a tampa do terraço ficava aberta o vozeirão enfático do Pastor chegava à janela do meu quarto e por vezes eu ficava ali um pouco a sorrir-me da extraordinária diferença entre o pastor pregante e o pacatíssimo vizinho com que me cruzava no elevador. Sorria também, às vezes, da doutrina que entrevia naqueles sermões ruidosos, da música, das palmas.
Já depois de a minha família ter mudado de casa, soube que aquela Igreja prosperou e acabou por ocupar o prédio todo. Fiquei satisfeito mas a condescendência manteve-se comigo.
Mais tarde, depois de ter começado a aprofundar a minha fé, pelo estudo da história do Cristianismo, comecei então a ter alguma noção sobre o protestantismo, sobre as suas origens e razões. E, por os começar a conhecer comecei a vê-los como uma forma de Cristianismo tão válida como a minha. Mas os Evangélicos Baptistas, esses, e depois de ter conhecido as suas extraordinárias igrejas televisivas dos Estados Unidos, continuei a manter uma forte reserva intelectual quanto a eles.
Mas um dia entrei na blogosfera e conheci a Voz do Tiago Cavaco e a minha visão dos evangélicos e do seu pensamento mudou radicalmente.
Mais tarde os irmãos Bengelsdorff, os Samuéis dos Animais e outros Tiagos que por aí surgiram, fizeram com que, hoje, este católico apostólico romano tenha varrido da sua mente todo o paternalismo que sentia pelos evangélicos. Eles tem defeitos e limitações mas isso não falta também nos católicos, luteranos, anglicanos, presbiterianos, metodistas, etc.
Hoje já não lhes desdenho a doutrina mas invejo-lhes a vitalidade.
Hoje reconheço-os como irmãos e iguais na Fé em Cristo.
Hoje faz um ano que a Voz começou a ecoar por aí. Obrigado Tiago, e muitos parabéns.

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