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terça-feira, março 30, 2004

Povo eleito ou povo feito? 

Não são frequentes as ocasiões em que somos confrontados com as nossas próprias palavras e levados a repensar o sentido profundo, se calhar até a causa primeira daquilo que acabámos de dizer. O "quase português" Lutz conseguiu hoje isso comigo a propósito do meu último post. Particularmente a sua frase: "Não penso que o Guia dos Perplexos está a justificar o sofrimento passado do povo judeu, ou o actual ou um sofrimento futuro... Mas está a dar-lhe sentido - e isto é uma espada de dois gumes!" , ficou a martelar-me a consciência. Fiquei a pensar se estaria eu a atribuír ao povo judeu um papel, quase cósmico, que me convirá a mim enquanto parte da humanidade, mas que não convirá forçosamente aos próprios judeus.
Todavia pensando bem, e contrariamentente ao que diz Lutz, embora, como já disse, eu não tenha ideias muito claras sobre o significado teológico universal do carácter de povo eleito dos judeus, definitivamente eu não penso que o povo judeu tenha sido eleito para sofrer . Aliás, parece-me redutor que a história do povo judeu seja considerada apenas como uma história de sofrimento. Na minha modesta opinião, é antes uma história de triunfo, sobre o sofrimento, sobre as perseguições, sobre si próprios.
Pois o facto é que, mais do que qualquer outro povo, mesmo sem país próprio, mesmo dispersos pelo mundo inteiro, eles conseguiram manter na íntegra a sua forte identidade cultural e ética enquanto povo. E isto há mais de 3.000 anos. Não conheço outro caso assim. Admiro-os imensamente por isso.
As questões que tenho colocado sobre o estado de Israel não se devem à minha vontade de os ver continuar a desempenhar o seu papel de "judeus errantes". Devem-se sim a uma genuína preocupação sobre a preservação do seu património ético que tanta falta faz à humanidade e que tão maltratado tem sido ultimamente pelos zelotas de hoje.
Mas o meu amigo Nuno das duas ruas da Judiaria terá certamente algo a dizer sobre isto. Embora neste momento tenha algo muito melhor com que se ocupar. E pelo qual lhe vou já enviando os parabéns antecipados.

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