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sexta-feira, março 12, 2004

Teodicéia*, por e para um Zé Ninguém 

Um dia, não há muito tempo, num daqueles dias sem luz e sem amanhã, fui a uma igreja e sentei-me. Tremia por dentro e queria rezar, mas não consegui.
Ergui os olhos e perguntei a Deus: Porquê eu? Porquê a mim? Que mal fiz eu? Mereço eu isto?
Como habitualmente, o silêncio parecia ser a resposta. Até que, de dentro de mim, ouvi algo que me perguntava: Porque não tu? Quem és tu? Alguém acima dos teus irmãos? Mereces mais do que os outros? Mereces aquilo que até aqui te tem sido dado?
Fez-se de novo silêncio em mim. E veio uma grande paz que apagou toda a dor, toda a revolta.
E repeti então as velhas palavras que são toda uma oração: “Faça-se em mim segundo a Tua vontade”.
E logo saí, melhor do que entrei, em paz comigo e com Deus. Pronto a aceitar o meu destino, qualquer que ele fosse, pronto a tentar ser digno dele, ou melhor, digno nele.
Uns dias mais tarde soube que, afinal, talvez houvesse amanhã para mim. O alívio que senti então nada foi perante aquele alívio que senti naquela igreja.
Esse alívio é o que ainda hoje perdura.

( * justiça na acção divina, explicação do mal ser permitido por Deus)

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