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sexta-feira, março 19, 2004

Terrorismo é guerra, basta ya! 

Valores, quais valores? Foi isso que me perguntaram após o último post. Perguntam-me também se a guerra se justifica para defender esses valores. No fundo são duas perguntas: como sei eu que os nossos valores são absolutos? mesmo que o sejam valem uma guerra?
Deixem-me ir do particular para o geral. Esta guerra de que falamos, a do Iraque, é para mim a mais estúpida e iníqua de que tenho memória. É estúpida porque ataca onde não devia, é estúpida porque não pode ser mais contraproducente. É iníqua porque, a pretexto de valores, dos nossos valores, parece desmenti-los.
Mas esta guerra foi uma resposta, estúpida, ineficaz e iníqua, a uma outra guerra, surda, tenaz, metódica, cirúrgica, uma guerra sem quartel feita contra nós e os valores que criámos ao longo de séculos. Valores pelos quais devemos lutar pois, não sendo absolutos, não sendo por nós plenamente vividos, não se conhecem outros melhores. É contra essa guerra que não podemos negar-nos, não podemos enterrar a cabeça na areia, desistir. Essa tentação que por aí pressinto parece-me um sinal de renúncia, um desejo de olvido, um antegosto de morte. A paz que se apregoa por aí poderá vir a ser a paz dos mortos, do obscurantismo.
É certo que os primeiros actos que se quiseram fazer, em nosso nome, foram (não é demais insistir) inacreditavelmente estúpidos e iníquos, mas não estou certo que estejamos pior do que antes. Acredito sim que as coisas estão agora muito mais claras. Tão claras que é difícil olhar para elas, vê-las como realmente são. Mas, mais do que nunca, é necessário olhar nos olhos o outro lado. Discernir onde verdadeiramente estão as forças que nos querem destruir. Apoiar as forças que connosco aceitam viver. Aceitar que temos de melhorar, mas não temos que ser destruídos, anulados.
Para mim, o que devemos gritar, depois de Madrid, é ligeiramente diferente do que se diz por aí: Terrorismo é guerra, basta ya!.



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