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terça-feira, abril 06, 2004

Outra vez o pecado original 

Concordo com o Fernando quando diz que "Não estarão as metamorfoses do pelagianismo mais vivas do que nunca?" O que não me parece que seja necessariamente uma má coisa, contrariamente ao que pensam tradicionalistas católicos e reformados calvinistas.
Já aqui falei das minhas dificuldades com Sto.Agostinho e com o seu conceito de pecado original e também com a ênfase que lhe é dada. Entendendo, como eu penso que se deve entender, Adão como uma pessoa colectiva, então o pecado original, a ambição do conhecimento do Bem e do Mal, a ambição de se ser como Deus, será a maior e mais perigosa das tentações e por isso eternamente susceptível de ser repetida por cada um de nós ao longo dos tempos.
Mas, por isso mesmo, existe em nós todos como uma possibilidade (enorme) de pecado mas não necessáriamente já como pecado pré-existente na nossa individualidade.
Para justificar o conceito tradicional de pecado original vejo serem citados muitos teólogos e doutores da Igreja, desde Paulo a Lutero, mas não vejo citada nenhuma frase proferida por Cristo. Ele diz, por todo o Evangelho, que veio salvar a humanidade dos seus pecados, dos quais enumerou e apontou muitíssimos. Mas, se não erro, eram todos pecados humanos, inerentes à nossa condição humana e gregária. Não me recordo de tê-Lo ouvido falar do pecado original.
Eu sei que esta pode ser uma afirmação pesada para alguns que me leiam, mas também eu me sinto algo próximo do hereje Pelágio no que diz respeito ao pecado original: acho que ele existe como possibilidade sempre presente, possibilidade que nos retiraria da Graça de Deus, mas não como ónus do qual poderemos não ser resgatados por muito que façamos.

Mas nós, simples fiéis, sejamos santos e não teólogos. Esses, mais do que ninguém, correram e correm o risco de cair na fatal tentação do conhecimento supremo do Bem e do Mal. Mas que Deus os proteja pois são eles que guiam a nossa razão rumo à fé.

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