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sexta-feira, maio 14, 2004

Fátima, novamente 

OK, David, meu amigo e irmão na Fá, eu acredito que não olhes com dureza os peregrinos de Fátima mas sim com compaixão. Perdoa-me pois a expressão que usei. E meu caro Lutz também entendo a tua pergunta sobre se "não haverá nada melhor para essa senhora do que Fátima".
Para mim e para vocês há carradas de coisas melhores do que Fátima. Mas para a tal senhora e para muitos como ela, Fátima é o melhor que a vida, a igreja e a fé lhe tem para oferecer: é luz, é esperança, é olvido, é consolo (ou usando uma expressão antiga: consolamentum). Como o meu amigo Timshel costuma dizer: a cada um segundo as suas necessidades. E aquilo que aquela senhora de S.Pedro do Sul (que eu não conheço mas que existe com toda a certeza) necessita mesmo está em Fátima. E fico feliz por ali o poder encontrar. Deus preocupa-se seguramente mais com as suas dores do que com os nossos edifícios teológicos e, por isso, é ela que Lhe interessa. E para ela, a tal boa senhora de S.Pedro do Sul, Fátima faz parte da sua melhor opção. Tão simplesmente porque essa é a opção que lhe é possível, a opção que lhe resta.
E não me digam que estou a ser paternalista com a tal senhora. Nem a compaixão é o sentimento que tenho por ela. Não, eu admiro-a intensamente pela tremenda carga que tem sobre os ombros e por, ainda assim ter esperança. Admiro-a por preserverar nela. Admiro-a por uma dignidade que apaga todo o kitsch. Admiro-a por ser capaz de coisas que não estão ao meu alcance.
Quanto à minha Igreja, acredito sinceramente que pensa algo semelhante. Por isso tolera. Por isso incentiva. A função da Igreja, da minha, da tua, de todas, é com certeza apontar os caminhos da Salvação. Mas também é consolar e amparar aqueles que necessitam. E todos necessitamos.

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