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quinta-feira, junho 24, 2004

Post joanino 

Neste dia de S.João, o Baptista, apetece-me mais pensar no outro João, o Evangelista. De todos os quatro evangelhos, o de João, o evangelho místico, é de longe o meu preferido. Sendo aquele que é menos descritivo da vida de Jesus é aquele que mais é a palavra, o sentido, a mensagem de Jesus. Fala menos do que Jesus fez mas mais do que Jesus disse. Tendo sido o evangelho escrito mais tempo depois da morte de Cristo, é lícito pensar se as suas palavras são verdadeiras transcrições ou produto das reflexões feitas por João ao longo da sua vida sobre aquela experiência tão drástica, a de ter sido discípulo e apóstolo de Cristo. Mas isso interessa pouco pois João oferece-nos talvez aquilo que verdadeiramente é essencial na mensagem de Cristo (o tal mandamento novo) e oferece-nos também as melhores pistas para o entendimento d´Aquilo que Cristo verdadeiramente foi e é.
Decididamente, muito do meu cristianismo veio e continua a vir de João, o Evangelista, o discípulo que por ter sido amado por Cristo foi aquele que melhor O compreendeu.
Ninguém primeiro e ninguém melhor do que João nos explicou o mistério trinitário de Deus e o mistério da natureza de Cristo. Ninguém explicou como ele que o Amor tem um papel verdadeiramente cósmico: é o que nos une a Deus e Deus a nós, é o que nos une uns aos outros, é o que nos une a nós próprios. Só João nos explica que a Unidade é verdadeiramente o Amor. E nenhum dos outros evangelhos é parecido com este, nenhum é mais misterioso nem mais poético. Por falar nisso, em mistério e em poesia, é sempre bom relêr o belíssimo prólogo de João:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João.
Este veio como testemunha, para dar testmunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz.
Aquela era a luz verdadeira, que ilumina a todo homem que vem a este mundo.
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por ele, mas o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a todos quantos o receberam, deu ele o poder de se fazerem filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
Que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, como Filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho dele e clama dizendo: Este é o de quem eu disse: o que há-de vir depois de mim tem primazia sobre mim, porque era antes de mim.
E todos nós participámos da sua plenitude e graça sobre graça.
Porque a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo.
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigénito, que está no seio do Pai, esse é quem o deu a conhecer.


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