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segunda-feira, julho 19, 2004

Vamos à Terra! 




Já devem saber da medida da importância que eu dou ao diálogo inter-religioso. Comecei praticamente este blogue a escrever que “a negação da Verdade das outras religiões prejudica objectivamente a afirmação da Verdade da nossa. A mútua exclusão e anatemização entre Religiões é fonte, talvez a maior, do ateísmo! A assunção profunda da Verdade da nossa religião obriga-nos a aceitar e respeitar a Verdade das outras religiões. O Ecumenismo não deve pois ser um esforço de tolerância: é um imperativo racional e teológico!” Foi pois com imenso interesse que acompanhei na semana passada a cobertura que o jornalista António Marujo fez no Público sobre o Parlamento das Religiões do Mundo em Barcelona. E não é que o temos a ele mesmo, hoje na TdA, a fazer um brilhante comentário-síntese a este evento? Cito-o: “O diálogo inter-religioso é decisivo para as religiões, sim. Mas também para a humanidade, tão carente de se reencontrar consigo mesma”. Exactamente
Mas não é apenas isto que faz a edição de hoje da TdA uma das mais importantes de sempre.
Temos uma nova colaboradora, a Milene, a falar-nos de misticismo, religião e mistério. De como evolui do primeiro para a segunda, onde reencontrou o valor essencial do mistério: “e esse mistério (também) me prende depois de não ter encontrado na Igreja o grupo utópico dos amigos ideais, ter imaginado muitas coisas, ter ficado abismada com as experiências de Amor verdadeiro que nela existem (e que eu não faço), o que me prende a este Corpo é ainda o desejo de O conhecer”.
Temos o Zé Filipe com um comentário brilhante sobre a Carta a um homem religioso da Simone Weil. Ainda e sempre a propósito do diálogo inter-religioso: ´« A religião católica contém explicitamente verdades que outras religiões contêm implicitamente. Mas reciprocamente, outras religiões contêm explicitamente verdades que só são implícitas no cristianismo. O cristão melhor instruído pode ainda aprender muito sobre as coisas divinas noutras tradições religiosas, ainda que a luz interior possa também fazer com que ele perceba tudo através da sua. Todavia, se estas outras religiões desaparecessem da face da terra seria uma perda irreparável.» Simone Weil gostaria de ter lido a declaração do Concílio sobre “A Igreja e as Religiões não-cristãs”...´Sobre os milagres e sobre a sua irrelevância fenomenológica para a construção de uma verdadeira fé. E finalmente, sobre algo que para mim é fundamental, apesar de óbvio: a enorme importância da distinção entre o essencial e o acessório: «”Todo aquele que acredita que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus” (1ª carta de S. João 5,1) Logo, todo aquele que acredita nisto, mesmo se não aderir a mais nada do que afirma a Igreja, tem a verdadeira fé.»
E temos o Marco, que, nestes tempos de conversas entre religiões, nos faz um relato que para os católicos devia ser precedido por um “and now for something completely different”: o sistema eleitoral da Igreja Bahá´i! Obrigatório ler.
Act.: E após uns problemas de edição, temos também o Bernardo que em tempo de diálogo de religiões e citando Guénon, nos traz uma interessante comparação de tradições religiosas e místicas ancestrais no Islão, no Hinduísmo, no Cristianismo e ainda noutras religiões. Trata-se dum outro método, talvez o mais polémico mas sem dúvida fascinante, para reduzir a distância entre as religiões: procurar nelas as suas componentes primordiais comuns, umas de natureza esotérica, outras exotéricas.

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