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terça-feira, setembro 14, 2004

Posta mista 

Hoje o technorati e o mail do sapo trazem-me um inusitado afluxo de palavras simpáticas embora exageradas. Este humilde blogger a todos agradece.

Ontem andei ausente em parte incerta pelo que não disse nada sobre mais uma excelente edição de 2ª feira da Terra da Alegria, com excelentes textos do Marco, do Filipe e do Zé Filipe. Aconselho vivamente um salto até lá.

A propósito do Zé Filipe, não quero deixar de referir uma citação dum extraordinário texto do Umberto Eco que ele há dias colocou no seu excelente blogue:

Se eu for crente, acharei sublime que Deus tenha pedido ao seu próprio filho para se sacrificar pela salvação de todos os homens. É essa a especifidade do cristianismo -- e não o facto de o cristianismo primitivo ter passado sete ou oito séculos a discutir se Cristo era dotado de uma natureza unicamente humana ou unicamente divina, ou de ambas, e quantas pessoas vontadesele incarnava... Tudo isso se nos afigura como jogos teológicos completamente inúteis, mas o desafio reside precisamente em apreciar este mistério: como, de que maneira, pôde Deus fazer isso por nós? Mas, se eu considerar que Deus não existe, então a questão tornar-se-á ainda mais sublime: com efeito, tenho de me perguntar como é que uma parte da humanidade teve bastante imaginação para inventar um deus feito homem, que aceitou deixar-se morrer por amor da humanidade. Que tenha sido possível que a humanidade concebesse uma ideia tão sublime, tão paradoxal, sobre a qual se constrói uma enorme intimidade com a divindade, leva-me a sentir enorme estima por ela. É certo que esta humanidade fez coisas horríveis, mas soube inventar isto! Mesmo que Deus não exista, ela soube inventar um romance extraordinário.

(do livro O fim dos tempos, conversas com Stephen Jay Gould, Jean Delumeau, Jean-Claude Carrière, Umberto Eco, edições Terramar)

Esta ideia do "é muito bom ser crente mesmo que Deus eventualmente não exista" é uma ideia que tenho há muitos anos embora costume guardá-la para mim pois pode dar a ideia errada que não tenho uma fé profunda. Acontece que enquanto que o Objecto da minha Fé é algo que eu sei que irei encontrar apenas depois desta vida, já as vantagens de ter fé isso é algo que eu sinto já e aqui, todos os dias. Um dia, o meu amigo Timshel disse uma coisa extrordinária: "Poder-se-ia pensar que, em resultado das minhas convicções católicas, a certeza fundamental (...) seria a da existência de Deus. Não. A certeza que eu considero fundamental e axiomática é a de que nos devemos comportar como se Deus existisse".

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