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quarta-feira, outubro 27, 2004

Hoje na Terra 

Há dias e dias. Há quartas e quartas. Há terras e terras. E hoje, dia em que me diverti a contrapôr um "evangelho social" a um "evangelho neo-liberal", ambos apócrifos, ambos demagógicos, verifico que os meus colegas, esses falaram de assuntos mais sérios.
O Timshel fala-nos da escola enquanto factor de competividade e enquanto catalizador de maior injustiça social. Devo dizer que é um assunto que me preocupa. Por um lado a monumental ineficiência do sistema educativo público tem destruído e continuado a destruír a nossa competitividade enquanto país e enquanto sociedade. Por outro, o inevitável refúgio no sistema de educação privado (para quem pode, claro!) é uma fonte de desigualdades de oportunidade ainda maiores no futuro. Não só pela assimetria de preparações educativas como pela interiorização pelas actuais crianças e jovens, de elitismos hereditários e inferioridades perenes e inultrapassáveis. É grave isto. E talvez a proposta do Timshel seja a que nos resta.
O Miguel, num texto desencantado, de quem anda nisto já há anos, à espera da mudança da maré, fala-nos duma coisa bem importante: do clero que nos oficia. E que nos preocupa. "porque às vezes é preciso reduzirmo-nos à insignificância das nossas palavras. e de que servem essas palavras se o eco que temos é um muro de indiferença cúmplice.(...)há quem nos diga, nós somos a verdade e a vida, como se não pudessemos nós defender a vida e a verdade, amando de modo diferente, acreditando de forma diversa". Mais à frente: «a igreja é a própria culpa», gritava a autora. não, não é. a culpa transportamo-la nós, desejamo-la nós. e insistimos em viver assim, na culpa. adiante: dizia-me em tempos um padre que tinha abandonado: «nunca tive dúvidas de que queria ser padre! até o ser» (...) "a falta de padres obriga a uma rápida colocação em paróquias (às vezes, mais do que uma paróquia), com o necessário acompanhamento de movimentos e outras instituições ligadas à igreja. «o modelo pastoral é desadequado, as pessoas não se sentem bem e procuram outras coisas», critica quem por lá anda ou andou. os bispos preferem pensar de modo mais complexo - para evitar simplismos. e para evitar soluções". Brinquem, brinquem. E depois não se queixem.
Já o Fernando oferece-nos um dos mais belos textos que tem passado por aqui. Um texto que ele sabiamente colocou a seguir ao do Miguel. Para que a gente não perca a esperança, ou melhor, não perca de vista o essencial de tudo isto. Um texto bom para leigos que, apesar do resto, querem fortalecer a sua fé: "Podemos blasfemar contra Deus, contra as suas barbas, ou pura e simplesmente arrancar os nossos pêlos perante o mal que presumimos que tolere no mundo. Podemos dizer que Cristo não o era. Mas não podemos fazê-lo contra o Seu Espírito. Não contra o Amor. Podemos amaldiçoar o dia em que nascemos e o dia em Deus criou o mundo, podemos recusar-nos a conversar com Deus ou com o mundo, mas não podemos amaldiçoar o amor, nem interromper de vez o diálogo que ele sempre quer estabelecer connosco. Se o fizermos cairemos na alçada dura da condenação".
Mas a fé dos leigos não chega para que a Igreja seja o Corpo de Deus...

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