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segunda-feira, outubro 25, 2004

Orgulho e preconceito 

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; Mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’».
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado.

(Lc 18,9-14)

Este trecho do Evangelho, ontem lido na missa, é para mim um daqueles que me interpela mais fortemente. Há tempos, num contexto muito próprio, a leitura deste trecho provocou em mim uma forte emoção que deu origem a uma espécie de oração que coloquei aqui no Guia. Hoje apetece-me de novo rezá-la, pois continuo a precisar daquilo que nela peço:

Meu Deus e meu Pai,
perdoa-me porque pequei contra Ti
e contra aquilo que de Ti existe em mim.
A Fé que em Ti tenho
não deveria apenas consolar o meu coração
nem satisfazer a minha inteligência.
Deveria sim fazer-me tremer
por não ter a minha vida segundo ela.
Deveria sim fazer-me envergonhar
por querer ser rico em espírito,
por a minha caridade ser uma promessa adiada,
por a minha misericórdia ser tão precária,
por a minha mansidão ser tão calculada,
por o meu amor ser tão condicional,
por a minha humildade ser capa de tão imenso orgulho.
Tão imenso e absurdo é o meu orgulho,
orgulho de ter Fé, orgulho de ser humilde,
que chego a não recear pela minha salvação.
Não valho assim mais do que o beato de sacristia
que julga ter já guardado o seu lugarzinho no Céu.
Meu Deus e meu Pai,
eu devia simplesmente agradecer
as graças e os dons que me destes
e não comprazer-me nelas
e não orgulhar-me deles.
Meu Deus e meu Pai,
Tu deste-me o dom da Fé
e ela aperfeiçoa-me, ela alimenta-me.
Mas, por essa Fé, eu deveria consumir-me,
alimentando dela o meu próximo.
Triste pecador é aquele que, como eu,
tem uma Fé demasiado tranquila
e se serve dela só para si.
Meu Deus e meu Pai,
perdoa-me por ser assim.
Transforma-me.

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