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sexta-feira, outubro 22, 2004

Sem título e sem tempo. 

Vivo tempos sem tempo. Sem tempo para pensar. Sem tempo para ler. Sem tempo para escrever. Sem tempo para rezar. Sem tempo para amar. Sem tempo para me deixar amar.
Vivo tempos que digo serem a hora da verdade mas que me afastam dela. Vivo tempos de luta e também de luto. Uso a primeira para esquecer o segundo, um luto já distante e um outro que se adivinha. Mas se uso a luta, estou também usado, agastado, embotado por ela.
Estou na engrenagem que escolhi, cujos dentes conheço um a um. Corro por ela, orgulho-me por vê-la a rodar bem, exaspero-me por ver que ela não sai do mesmo sítio. Espero por alguém que irá trazer um veio por onde ela se mova enfim e faça mover. Mas espero já há tanto tempo que me apetece fazer pará-la um pouco para descansar e pensar melhor. Mas não o faço pois receio o que aconteceria se ela parasse, o que aconteceria à engrenagem, aos que estão nela comigo, a mim próprio.
Como há já um ano não sei se valerá a pena tudo isto. Mas tratamos de tudo, dia após dia, como se valesse a pena. Mantemos ainda o rumo e congratulamo-nos por isso. Mas sabemos bem que mesmo que o quiséssemos, nunca poderíamos mudá-lo.
Entretanto esta aceleração dos dias, esta multiplicação das frentes, esta complexidade crescente, tudo isso me excita e motiva ainda mas começa a deixar marcas visíveis até para mim próprio, de quem sou o pior dos juízes.
Recordo hoje e volto a rezar aquela oração, tão simples, dos sem-papel em Missnanga:

Meus Deus,
Livra-me do medo.
Livra-me da frustração.
Deixa-me chegar ao meu destino.

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