<$BlogRSDUrl$>

sexta-feira, novembro 19, 2004

Dos sólidos 

Sempre tive a maior das dificuldades com a poesia. Desde logo um preconceito intelectual e estético. Eu penso, falo e escrevo em prosa. Para entender e fazer-me entender. E também uma desconfiança de beirão: a de que tudo aquilo são combinações aleatórias de palavras de interpretação à façon. Só Pessoa, Rilke e S.João da Cruz são vagamente inteligíveis para mim. Mas há ainda um outro de que já aqui falei, o Daniel Faria. Era um frade beneditino, a ordem que eu escolheria se tomasse ordem. E que escreveu na sua curta vida coisas que, apesar de serem poesia, eu bem as entendo, sobretudo nestes últimos dois anos de chumbo. Às vezes, nos dias duros, entretenho-me e consolo-me a pegar no que ele escreveu e reescrevo-o adaptando-o a mim e à vida que me tem sido dada a ter.
Segue-se um exemplo, que hoje mostrei a alguém que acha que eu passo incólume no meio de tudo isto. Como no fundo eu também acho. Mas engano-me.


This page is powered by Blogger. Isn't yours?