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segunda-feira, novembro 08, 2004

Terra, bom senso, pedras e uma carta 

A falta de tempo (ainda e sempre ela...) tem tornado este pobre guia em pouco mais do que um teaser para a Terra da Alegria. Para o que nela lá escrevo mas sobretudo para o que nela outros escrevem. Hoje o Marco fala-nos dum assunto chato mas importante: é que a primeira vítima do debate entre nós, portugueses e bloguistas, é o bom senso.
Já o Zé Filipe, noutra das suas lições de moral, foi buscar uma das preciosidades da literatura paleo-cristã, uma carta que não pertence ao cânone, mas que diz muito mais do que algumas que a ele pertencem: a lindíssima Carta a Diogneto. Já há um ano andei às voltas com ela e fico muito feliz por ver mais alguém a citá-la. Muito da minha maneira de entender a Fé em Cristo, revê-se nessa carta. Não resisto a repetir o trecho que o Zé Filipe transcreve:

«Os cristãos não se distinguem das outras pessoas nem pela pátria, nem pela língua, nem por um género de vida especial; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer noutros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável aos olhos de todos. Habitam a sua pátria, mas vivem como que de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Toda a terra estrangeira é sua pátria e toda a pátria lhes é estrangeira. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis

Já agora acrescentaria, também da Carta a Diogneto:

Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; Nós habitamos no mundo, mas não somos do mundo. A alma ama o corpo e os seus membros, mas o corpo odeia a alma; Nós amamos aqueles que nos odeiam. A alma está encerrada no corpo, mas contém o corpo; Nós encontramo-nos detidos no mundo como num cárcere, mas somos nós que contemos o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; Nós vivemos como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus. (...) Tão nobre é o posto que Deus nos atribuiu, que não nos é possível desertar dele.


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