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sexta-feira, dezembro 10, 2004

Confissões de um viciado em adrenalina 

E lá tenho eu andado de cá para lá e de lá para cá. A correr, quase sem pensar. Ando a seguir o Outlook em vez de seguir o que sinto. Aliás, nem sei bem já aquilo que sinto. Um alívio enorme a meias com uma frustração inapagável. A sensação de que safei a coisa in extremis. Um estranho gozo e orgulho por esse facto mas uma dúvida sobre aquilo que verdadeiramente safei. Uma pressa de acabar e uma pressa de começar tudo de novo. Um cansaço moral a meias com um corpo a queixar-se de maus tratos. A ideia de que estou a fazer o que definitivamente tinha de ser feito a colidir com o que leio nos olhos da minha mulher. E nos olhos dos meus filhos, a quem já não levo todos os dias à escola e que, à noite, estão sempre já deitados, acordados ainda à espera que o pai abra a porta. E então a angústia de termos apenas 5 ou 10 minutos para pôr a conversa em dia, mas também a satisfação profunda de os estar a ver a crescer bem, como nós tínhamos falado: ele igualzinho a mim, ela uma fotocópia da mãe. A possibilidade entrevista de os ajudarmos a serem versões melhoradas de nós próprios.
E no meio disto tudo uma dúvida a martelar-me: qual será, por aquilo que falei acima, o damage done, como tem andado o Neil Young a cantar no meu carro. A mim, a eles, a nós. E uma certeza embaraçosa: aquilo que faço, faço-o por que tenho mesmo de o fazer mas não é só por isso - é também porque sou viciado naquilo, na adrenalina.
Que Deus me perdoe e ilumine.

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