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terça-feira, janeiro 04, 2005

Rezas 

Se queres mesmo que te diga, meu caríssimo Tiago, é igual a confusão que me faz o tão evangélico 'personal Jesus' como o 'santinho particular' que responde com tão prolixa benevolência à devoção especial de tanto católico. Entre o Jesus que me ajuda a atravessar uma tormenta profissional e a NªSª das Dôres para quem tenho uma reza infalível para morigerar um pouco estes padecimentos que me atormentam a zona lombar esquerda, não vejo diferença por aí além. Não me leves a mal mas parece que andamos aí perto do “milagre que Deus tem para si” que nos prometia a todos o inefável Bispo Tadeu.
Isto será conversa para um outro café, mas sempre te vou dizendo que já há muito ano que não rezo por mim. Talvez por não me sentir assim tão perto de Deus e seguramente por achar que rezar assim me afasta Dele.
E chego então aos Taizés de quem tu falavas. É que não estive mesmo cá na semana passada, cheguei ontem mesmo, e por isso passei infelizmente ao lado da coisa. Mas do que li do irmão Roger e do que conheço de amigos que por lá passaram há anos, acho que gosto das rezas daquela gente. A coreografia é sóbria, a música é óptima (montes de Bach!) e reza-se sem pedir aquela coisa que tu tens a obrigação de detestar: a intercessão!
Ah! E não concordo nada que tu chames “católicos místicos” aos de Taizé, aquilo é essencialmente uma comunidade orante, com uma prática e um ritual muito mais religiosos (exotéricos) do que metafísicos (esotéricos). Não se fazem por ali grandes devaneios teológicos. Celebra-se, reza-se a Deus e é na oração que eles entreveem a Unidade.

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