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segunda-feira, março 14, 2005

My own personal Jesus 

Foi já há uns anos, num daqueles dias sem luz e sem amanhã, que fui a uma das Tua casas e me sentei a um canto. Tremia por dentro, de puro medo, e queria rezar finalmente, mas não o consegui. Não consegui melhor do que Te perguntar, erguendo para Ti os olhos zangados, perguntar-Te a eterna pergunta dos da minha condição: Porquê eu? Porquê a mim? Que mal fiz eu? Mereço eu isto? Como é hábito, e também de justiça, o silêncio parecia ser a Tua resposta. Até que, falando de dentro de mim, ouvi algo que me perguntava: Mas porque não tu? Afinal quem tu és? Estás acima dos teus irmãos? Mereces mais do que eles? Mereces sequer aquilo que te tem sido dado?
E fez-se de novo silêncio em mim. Um silêncio primeiro estupefacto, depois magoado. Mas logo depois sobreveio uma grande paz que me apagou toda a dor, toda a revolta. E repeti então as Tuas velhas palavras, que são toda uma oração: “Faça-se em mim segundo a Tua vontade”. E logo saí, melhor do que entrei, em paz comigo e contigo. Pronto a aceitar o meu destino, qualquer que ele fosse, pronto a tentar ser digno dele, ou melhor, digno nele. Uns dias mais tarde soube que, afinal, talvez houvesse amanhã para mim. O alívio que senti então nada foi perante aquele alívio que senti sentado ali, aquele que é o verdadeiro alívio, o que ainda hoje perdura em mim.
Desde então, muitas pedras se me atravessaram no caminho, muitas dôres me tolheram a alma, muitos espinhos me picaram a carne. É bem possível que me tenhas ajudado a removê-los. Certamente que ajudaste. Mas nunca mais te voltei a perguntar Porquê eu?, nunca mais te pedi nada senão que me ajudasses a permanecer inteiro, preparado e crente.
Aquilo que ouvi nesse dia não sei se foi a Tua voz. Sei só que nunca a tinha ouvido antes nem nunca mais a voltei a ouvir depois, falando em mim e para mim. Mas penso que aquela vez foi suficiente. Até quando?

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