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sexta-feira, julho 08, 2005

Crash (re-post, infelizmente) 

"Vocês amam a vida, nós amamos a morte." (Omar Bakri, sheik do Londonistão)
"Temos sobretudo que entender as razões profundas de tudo isto." (Mário Soares, senador-mor do Reino, consciência da Pátria)

É bem verdade que o amor ao ódio, à morte, não é exclusivo deles. Existiu entre nós, e continua a existir, pronto a despontar à primeira oportunidade. Mas temos que nos dar a nós próprios o crédito de termos aprendido que esse ódio, esse desejo de morte, não são dignos da nossa condição humana. Dois milénios de cristianismo, cinco séculos de humanismo, dois séculos de democracia, até século e meio de socialismo, acabaram por nos ensinar a nós, os deste lado, que a vida, a tolerância, o bem comum, o respeito pelo indivíduo são valores fundamentais. É certo que houve e haverão recaídas, é certo que o individualismo redundou em egoísmo. Mas, caramba, não menosprezemos os nossos valores, não entreguemos os nossos ombros para arcar com todas as culpas do mundo. Não desculpemos aos outros aquilo que não perdoamos a nós próprios.
O que Cristo nos ensinou foi que não devemos ver o argueiro no olho do outro em vez da trave que está no nosso. Não disse para ignorarmos a trave quando ela está no olho do outro. Temos de ser justos e rectos mas não apenas connosco próprios. A nossa (má) consciência de seres morais não deve obliterar a visão da realidade à nossa volta.
E essa realidade é que há quem nos queira destruir não pelo que lhes fizemos ou fazemos mas simplesmente pelo que somos. Há quem nos queira destruír apenas porque aqueles valores que tanto prezamos e pelos quais tantos deram a vida, esses valores lhes são intoleráveis. Podemos não ser grande coisa mas não nos deixemos levar assim para o altar do sacrifício. Sobretudo porque desse sacrifício, diferentemente do Outro, não sairá redenção para ninguém. O Cordeiro de Deus foi sacrificado por nós porque assim Ele o quis e para que nós assim O víssemos. Não foi comido por lobos ferozes numa vereda escura.

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